UE aprova acordo comercial com o Mercosul após 25 anos de negociações
Bloco europeu supera resistências internas e avança para criar a maior área de livre comércio do mundo
Após 25 anos de negociações, uma maioria qualificada dos Estados-membros da União Europeia aprovou o aguardado acordo comercial entre a UE e o Mercosul. A decisão representa um marco histórico nas relações entre os dois blocos, apesar da oposição declarada de França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria.
A confirmação foi feita por diplomatas europeus, sob condição de anonimato, que informaram também a aprovação de salvaguardas adicionais para o mercado agrícola europeu, um dos pontos mais sensíveis ao longo das negociações.
Maioria qualificada garante avanço do acordo
Durante a votação entre os representantes permanentes, a Bélgica se absteve, enquanto a Itália surpreendeu ao votar favoravelmente, sinalizando satisfação com as concessões feitas recentemente para proteger seus agricultores. Com esse posicionamento, foi alcançado o critério necessário de 55% dos países representando ao menos 65% da população da UE, condição indispensável para a aprovação.
O resultado reforça o entendimento de que, apesar das resistências políticas e setoriais, o acordo passou a ser visto como estratégico para o futuro econômico e geopolítico do bloco europeu.
Impacto econômico e geopolítico do acordo UE-Mercosul
Se plenamente implementado, o acordo UE-Mercosul criará a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas. Segundo estimativas da Comissão Europeia, o tratado poderá acrescentar 77,6 bilhões de euros à economia europeia até 2040, o equivalente a 0,05% do PIB da UE.
Além do impacto econômico, Bruxelas enxerga o acordo como uma vitória geopolítica, especialmente diante da crescente influência da China no comércio global e na América Latina. O tratado é visto como uma forma de reforçar a presença europeia na região e diversificar cadeias de suprimentos estratégicas.
Próximos passos institucionais
Apesar da aprovação política, o processo ainda não está concluído. A votação formal ainda não ocorreu, e os países têm um horário limite para apresentar eventuais objeções e formalizar o resultado.
Caso não haja novos entraves, a expectativa é que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje ao Paraguai já na próxima semana para assinar oficialmente o acordo. Na sequência, o texto será submetido à votação no Parlamento Europeu.
Vale destacar que algumas seções do acordo, especialmente aquelas que extrapolam a política comercial, como temas ambientais e regulatórios,ainda precisarão ser ratificadas pelos parlamentos nacionais dos países da UE.