Santa Catarina se consolida como polo logístico estratégico
O mercado logístico brasileiro entra em 2026 sob pressão de uma equação que combina alta ocupação de espaços e oferta cada vez mais limitada de novos ativos. Nesse contexto, Santa Catarina desponta como um dos estados que concentra com maior intensidade essa dinâmica, reunindo simultaneamente escassez de galpões, bilhões em investimentos portuários em andamento e melhorias significativas na infraestrutura rodoviária.
Um mercado nacional com pouco espaço disponível
Após um 2025 marcado por forte absorção, o setor de condomínios logísticos chega a 2026 com indicadores apertados. O estoque locado atingiu 4,8 milhões de metros quadrados, com taxa de vacância de apenas 7% e valor médio de locação em torno de R$ 31 por metro quadrado ao mês. Outros levantamentos do setor registram vacância ainda mais restrita, de 6,56%, sinalizando escassez real de espaços disponíveis nas regiões mais estratégicas para o escoamento de cargas.
Santa Catarina: vacância abaixo de 3% e demanda represada
Se o cenário nacional já é apertado, em Santa Catarina a situação é ainda mais crítica. O estado registra taxa de vacância inferior a 3% nas regiões próximas aos principais polos portuários, um número que na prática indica saturação e ausência de opções imediatas para novas operações.
Essa escassez é impulsionada pelo crescimento contínuo da demanda por armazenagem logística, alimentada pela expansão do comércio exterior, do e-commerce e das cadeias de distribuição regionais, em contraste com um pipeline limitado de novos projetos prontos para absorver essa demanda.
O ciclo bilionário de investimentos portuários
O que torna Santa Catarina ainda mais singular é o volume de investimentos portuários em andamento. Um dos principais terminais do estado avança em sua quarta fase de expansão com R$ 500 milhões. Em Navegantes, um complexo portuário de referência executa programa de modernização de R$ 2 bilhões. O Porto de Itajaí projeta aportes de R$ 844 milhões sob nova gestão, além de R$ 2,5 bilhões do Fundo da Marinha Mercante para construção de embarcações de apoio. No norte do estado, um novo terminal em desenvolvimento prevê R$ 3 bilhões em investimentos, com previsão de operação até 2030.
Somados, esses projetos representam mais de R$ 8 bilhões em infraestrutura, transformando Santa Catarina em um dos estados com maior dinamismo portuário do Brasil neste momento.
A infraestrutura terrestre acompanha esse ritmo. A duplicação da BR-470, eixo de ligação entre o interior e o litoral catarinense, já ultrapassa 60 quilômetros de pistas liberadas, ampliando a capacidade de escoamento entre regiões produtoras e terminais portuários.
Uma nova lógica logística: conectividade acima de tudo
O cenário catarinense ilustra uma transformação mais ampla no mercado logístico brasileiro. A vantagem competitiva deixou de estar centrada apenas na capacidade de estocagem, hoje, o que se precifica com mais força é a conectividade: estar próximo de portos, rodovias estratégicas e centros de consumo tornou-se determinante para cadeias que exigem velocidade e previsibilidade. Essa lógica é especialmente relevante para segmentos como comércio exterior, e-commerce, alimentos e cadeia fria.
Com a saturação das áreas já consolidadas, o mercado começa a antecipar posições em regiões adjacentes, especialmente no norte do estado, onde a nova infraestrutura portuária promete repetir o ciclo de valorização das áreas já saturadas.
O que isso significa para operações de comércio exterior
Para empresas que operam importação e exportação pelos portos catarinenses, o momento exige atenção ao planejamento logístico. A escassez de armazenagem próxima aos terminais pode gerar gargalos e elevação de custos. Por outro lado, os investimentos em andamento representam uma oportunidade concreta de ganho de eficiência no médio prazo, com terminais mais modernos e melhor integração entre os modais rodoviário e marítimo.