Fretes recuam em junho, mas colheita do milho deve pressionar logística nos próximos meses

O setor de transporte rodoviário de cargas registrou queda nos preços dos fretes em diversas regiões do Brasil durante o mês de junho de 2025. O recuo é reflexo da redução na demanda por transporte e da queda no preço do diesel, que tem contribuído para aliviar temporariamente os custos logísticos.
Segundo levantamento de mercado, estados como Bahia, Distrito Federal, Goiás, São Paulo e Piauí apresentaram retração nas cotações, acompanhando a desaceleração da atividade logística no período. No Paraná, a situação foi heterogênea, com destaque para Ponta Grossa, onde houve recuo expressivo nos valores cobrados. Já em Minas Gerais, enquanto o frete de grãos permaneceu estável, o transporte de café registrou alta, influenciado pelo período de entressafra.
Por outro lado, alguns estados tiveram aumento nos preços. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Maranhão observaram elevação nas tarifas de frete, impulsionadas por movimentações específicas do agronegócio e pelo início do escoamento de parte da safra. Em Minas Gerais, o transporte de café também continuou em alta.
Apesar da tendência de baixa no momento, especialistas alertam que a situação pode se inverter nas próximas semanas. A intensificação da colheita do milho no segundo semestre deve aumentar significativamente a demanda por transporte, pressionando a logística nacional e elevando os preços dos fretes, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Além disso, mesmo com a queda registrada nas refinarias desde 2023, o preço médio do diesel nas bombas permanece elevado. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o litro do combustível estava em R$ 5,94 em maio de 2025 - valor ainda considerado alto pelos transportadores. A defasagem entre os preços na origem e no varejo reduz o impacto positivo da queda nas refinarias.
Para o setor, o segundo semestre de 2025 promete ser desafiador. O aumento da safra de grãos e café, aliado à limitação da capacidade logística e à alta nos custos operacionais, pode trazer novos ajustes de preço e exigir planejamento das transportadoras e embarcadores. A orientação de especialistas é antecipar negociações e organizar rotas com antecedência, a fim de minimizar gargalos e custos extras.