Exportação de pescados é suspensa após anúncio de tarifa de 50% pelos EUA

A exportação brasileira de pescados para os Estados Unidos foi abruptamente interrompida no último dia 10 de julho, apenas um dia após o anúncio do presidente norte-americano Donald Trump sobre a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, que pegou o setor de surpresa, já causou impactos imediatos no comércio exterior, com a retenção de 58 contêineres frigoríficos carregados com cerca de mil toneladas de peixes.
Os contêineres, que estavam prontos para embarcar em portos brasileiros rumo ao mercado americano, permaneceram estacionados após importadores cancelarem ou suspenderem os pedidos, diante da incerteza jurídica e financeira causada pela nova sobretaxa.
Setor pesqueiro alerta para prejuízos e paralisações
Empresas do setor pesqueiro alertam para prejuízos milionários e risco de paralisação de linhas produtivas. O mercado norte-americano representa um dos principais destinos da exportação de peixes brasileiros, especialmente espécies como tilápia, tambaqui e filés congelados. Com o aumento abrupto dos custos para entrar nos EUA, a competitividade desses produtos praticamente desaparece.
Para o importador, simplesmente não compensa mais comprar do Brasil, pois não há como repassar esse custo adicional de 50%. As empresas brasileiras estão tentando redirecionar esses contêineres para outros mercados, mas não se trata de um processo simples.
Governo acompanha situação e busca soluções diplomáticas
O Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores informaram que estão monitorando a situação de perto e dialogando com representantes do setor produtivo. Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que avalia medidas diplomáticas e jurídicas para contestar a tarifa, inclusive junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).
A exportação de alimentos, especialmente os de origem animal, exige planejamento logístico, certificações sanitárias e prazos rígidos. Essa interrupção repentina tem potencial de comprometer contratos, empregos e cadeias produtivas inteiras, alerta a nota técnica emitida por técnicos do Ministério da Agricultura.
Perspectivas e alternativas
Com os embarques suspensos, empresas estão considerando redirecionar as exportações para países da Europa, América Latina e Ásia, onde ainda há demanda e condições comerciais mais favoráveis. No entanto, esse redirecionamento exige negociações, adaptação de rotulagens e novas certificações sanitárias - um processo que pode levar semanas ou até meses.
Enquanto isso, frigoríficos que atuam no mercado externo enfrentam o desafio de evitar desperdícios e de garantir a preservação da carga já processada. O episódio reforça a vulnerabilidade de setores exportadores brasileiros diante de decisões unilaterais de parceiros comerciais estratégicos. Especialistas em comércio exterior destacam a importância de ampliar acordos bilaterais, diversificar mercados e reduzir a dependência de grandes economias sujeitas a mudanças políticas abruptas.