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Brasil já importa mais canetas emagrecedoras do que celulares

Brasil já importa mais canetas emagrecedoras do que celulares

O crescimento acelerado do mercado de medicamentos para emagrecimento está provocando um impacto direto na balança comercial brasileira. Em um país onde 28,89% da população é considerada obesa, as chamadas canetas emagrecedoras se popularizaram rapidamente, e, como não há produção nacional desses medicamentos, a demanda vem sendo suprida quase integralmente por importações.

Em 2025, o Brasil importou US$ 1,669 bilhão (aproximadamente R$ 9 bilhões) em medicamentos como Ozempic e Mounjaro, valor que já supera as importações de produtos tradicionais de consumo, como telefones celulares, salmão e azeite de oliva.

Importações em alta e mudança no perfil dos fornecedores

A Dinamarca, sede da Novo Nordisk (fabricante do Ozempic) lidera a origem das importações, respondendo por 44% do total. Em seguida aparecem os Estados Unidos, onde está a Eli Lilly (produtora do Mounjaro) com 35,6% das compras brasileiras.

O dado mais relevante, no entanto, está na dinâmica de crescimento. Enquanto as importações provenientes da Dinamarca avançaram 7% no último ano, as compras originárias dos Estados Unidos dispararam 992%. O movimento indica que o motor recente de crescimento do mercado não foi o Ozempic, pioneiro da categoria, mas sim a rápida adoção do Mounjaro, concorrente americano que ganhou espaço de forma acelerada.

Mercado em expansão e impacto no comércio exterior

O avanço das importações reflete uma tendência global. Segundo projeções do Itaú BBA, o mercado de medicamentos para obesidade e controle metabólico deve saltar de cerca de US$ 1,8 bilhão por ano para US$ 9 bilhões até 2030 no Brasil.

Esse crescimento levanta debates importantes sobre:

  • dependência externa de medicamentos de alto valor agregado;
  • impactos na balança comercial;
  • desafios regulatórios e logísticos para importação;
  • pressão sobre o sistema de saúde e planos privados.

Quebra de patente deve acelerar ainda mais o consumo

No curto prazo, um novo fator deve impulsionar ainda mais esse mercado: a quebra da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic. Com a entrada de medicamentos genéricos, a expectativa é de redução de preços e ampliação significativa do acesso, o que tende a elevar ainda mais o volume importado, ao menos até que haja produção local.

Para o comércio exterior, o cenário aponta para um aumento contínuo das operações de importação farmacêutica, exigindo atenção redobrada a temas como classificação fiscal, regimes especiais, controle sanitário e logística internacional de produtos sensíveis.